Não faltam políticas públicas para a agricultura familiar, falta assistência

 

 

 

Presidente da Fetaesp (Foto: Giuliano Martins)

 

POR SÉRGIO DE OLIVEIRA, DO GLOBO RURAL

Presidente da Fetaesp critica demora na implementação da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural – Anater

 

Encontrei Braz Albertini, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo (Fetaesp) durante a última Agrishow Ribeirão, na virada do mês. Estava sozinho no estande do Ministério do Desenvolvimento Agrário, à espera do lançamento do Anuário da Agricultura Familiar, no qual eu estava interessado, e ficamos ali papeando.

Albertini estava animado com as políticas públicas direcionadas à agricultura familiar. “Nunca tivemos antes, e falo dos governos federal, com o Mais Alimentos, as compras governamentais, e também do governo estadual, com o Protrator, por exemplo, que financia o maquinário em seis anos sem juros.”

No pátio em frente ao estande do MDA viam-se máquinas, implementos e veículos passíveis de financiamento pelo Mais Alimentos. Grupos de agricultores familiares circulavam por ali, na certa imaginando a diferença que um equipamento daqueles faria na sua propriedade. Mas Albertini foi ao ponto: “O que falta é extensão rural. O produtor sozinho não tem condições de planejar todos os passos da atividade, do plantio à comercialização”.

Ele reclamou que a agência criada pelo governo federal para reativar a assistência técnica e a extensão rural no país – a Anater – anda a passos de tartaruga. “Sem extensão rural não se viabiliza a agricultura familiar. A começar pelo financiamento: banco não gosta de pobre, é preciso um projeto para o agricultor apresentar ao gerente, e isso quem pode fazer é o pessoal técnico”.

O presidente da Fetaesp não deixou de dar um puxão de orelha no próprio setor que representa. Segundo ele, as cooperativas são o melhor caminho para a inserção da agricultura familiar no mercado, mas “falta motivação aos agricultores para se organizarem”. Mais uma vez, ele acredita que é preciso estimular a categoria, e a melhor forma de fazê-lo é com treinamento de lideranças através da extensão rural. “As compras governamentais são feitas de associações e cooperativas, o produtor rural sozinho não consegue acessar esse mercado”.

Ao final da Agrishow, os números revelaram que as propostas de aquisição de maquinário do programa Mais Alimentos chegaram a R$ 84 milhões, um crescimento de 34% em relação a 2013.

 

 

 

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