Solidariedade é peça chave para o fortalecimento da agricultura familiar e a erradicação da fome.

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FAO: Cooperação internacional fortalecerá agricultura familiar no mundo

Dia 16 foi comemorado o Dia Mundial da Alimentação e, para o representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, Alan Bojanic, a solidariedade internacional é peça chave para o fortalecimento da agricultura familiar e a erradicação da fome, com oferta de alimentos saudáveis e produção sustentável.

“É preciso mais compromisso político no mundo. É importante trabalhar com as receitas básicas para prover recursos aos mais pobres, gerar emprego e outras oportunidades produtivas. E não é transferência só de dinheiro, a educação é tema central para a erradicação da fome e todo esse conhecimento que os países mais desenvolvidos têm não está sendo bem transferido”, disse Bojanic.

Com cerca de 805 milhões de pessoas que sofrem de fome crônica no mundo, as inovações para a agricultura familiar são o destaque da FAO neste dia, já que, segundo a organização, o setor produz mais de 80% dos alimentos do mundo.

Segundo Bojanic, a diferença de rendimentos agrícolas entre a agricultura familiar e de escala é muito grande, então é preciso fazer a diversificação de renda dessas famílias, para terem opções de desenvolvimento além do campo. Para ele, é importante também investir na modernização da produção, em inovações tecnológicas, como melhoramento de sementes, processos de armazenagem e logística de transporte.

O representante da FAO explica que em todos os países pode existir uma diferenciação entre os agricultores familiares, “mas em países menos desenvolvidos, como no Caribe, o Haiti, na América Central e principalmente na África temos uma grande quantidade de agricultores cumprindo seu papel mas que não são reconhecidos. Há produtores recebendo apoio, crédito, serviços de extensão e com a intensa participação da mulher na produção, mas tem um grupo que não é atendido pelo Estado. Por isso precisamos de políticas focadas nesses grupos mais vulneráveis, que também trabalham na manutenção da biodiversidade e na preservação de suas culturas”, disse Bojanic.

Ele cita os programas brasileiros como o Programa Nacional de Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) como modelos de fortalecimento a serem seguidos para manter a multifuncionalidade da agricultura familiar.

Segundo o secretário da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Valter Bianchini, apesar de a agricultura familiar representar cerca de 25% do total da área das propriedades agropecuárias no Brasil, há um grande espaço para crescer em produtividade. Além das políticas de reforma agrária e de crédito fundiário, ele destaca as parcerias para a extensão rural e o convênio com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária para que os pequenos produtores possam também se apropriar das tecnologias agrícolas.

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