Foi realizado o 31º Encontro da Mulher Rural em Araputanga, durante a quarta-feira,19, pela Prefeitura, no auditório da APAE, sob o tema “Mulher Empreendedora”, com apoio de empresários, Governo, Empaer, entre outros. O evento foi aberto com um café
da manhã, quando as mulheres deram boas vindas às companheiras de trabalho e aos visitantes e encerrado com festa.
Houve concurso de artesanato, dinâmica de grupo, apresentação do grupo “Bate Forte do Pantanal” – cururu e siriri do município de Poconé, aplaudido pelo público que lotou a APAE, sorteio de prêmios, quando o presidente do Sinterp-MT, Gilmar Brunetto doou R$500 para incentivar a arte das trabalhadora, em homenagem a extensionista Sandra Regina Andrade Alves, que atua há mais de 30 anos em Araputanga. O dia foi de homenagens: às mulheres guerreiras que acordam ainda de madrugada, com frio ou calor para cuidar do alimento que chega à mesa da população, a esposa do ex-prefeito do município Delci Garcia dos Santos, idealizador do Encontro, que faleceu recentemente e foi homenageado e à extensionista Sandra Regina, que participa de todos os Encontros da Mulher Rural, evento hoje realizado em várias localidades de Mato Grosso. “Foi um momento de muita emoção, pois temos que valorizar quem muito fez pelo nosso município”, disse o prefeito Sidney Salomé, emocionado, por não ter recursos financeiros para as obras e serviços que o município exige. Sandra também agradeceu a homenagem recebida, destacando a importância da extensão rural e de toda a equipe e comunidade que luta sempre pelo melhor.
Sucessão Familiar
Mas nem tudo é festa no 31º Encontro da Mulher Rural. A grande preocupação dos agricultores é a sucessão familiar, pois o êxodo rural do jovem é grande, por falta de infraestrutura e incentivos no campo. “Uma dose de pinga é mais cara do que um litro de leite. Desse jeito fica difícil produzir e segurar os filhos na propriedade rural. Meu filho já saiu do assentamento São João, onde moramos para estudar e não pensa em voltar, porque aqui não há lucro, ou seja, eu não sei o que vai ser de nós quando meu marido e eu não tivermos mais força para tocar o serviço”, disse Teresinha Aparecida Souza Borges, que há 10 anos trabalha com cria e recria de gado. Ela lembrou que muitas famílias são colocadas nos assentamentos e ficam anos sem infraestrutura, desestimuladas muitas abandonam a zona rural.
Outra agricultora, Sidane Machado Pereira, do assentamento Florestan Fernandes também concordou com a dificuldade de o jovem ficar na zona rural. “Tenho dois filhos que já saíram para estudar e já avisaram que não vão voltar para a vida rural, porque é muito sofrida e não há retorno financeiro para os agricultores familiares, tudo é muito difícil para nós”, disse Sidane.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Pública, Gilmar Brunetto destacou a importância da sucessão na agricultura familiar, reforçando a necessidade de incentivo para os jovens terem acesso a ensino de qualidade em todos os níveis na própria região em que vivem. “Defendemos investimentos em três eixos: associativismo, agroindústria e alimento limpo, livre de agrotóxicos, pois sozinho não tem como ninguém produzir, o Poder Público precisa dar todas as condições para a agricultura familiar para que ela não desapareça num curto espaço de tempo por falta de renda”, disse Brunetto.