Sonia Fiori – Foco Cidade
Defendida pelo governo do presidente Temer (PMDB) como a tábua da salvação do Brasil, depois do tsunami chamado PT, a PEC 241/2016, que estabele teto para gastos públicos, como se a Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF já não estabelecesse limites e fosse insistentemente desrespeitada sem punição alguma, foi aprovada em segunda votação pelos deputados federais demonstrando a força do governo federal que atingiu a 359 votos a favor da proposta contra 116.
Se por um lado, a PEC 241 é vista como a salvação da lavoura, para outros segmentos, principalmente servidores públicos, educação e saúde, apontam que poderá haver um tremendo retrocesso em todos os avanços conquistados nas últimas décadas, mesmo sendo estes avanços custeados através da ação dos saqueadores dos cofres públicos nos diversos escândalos que vão todas as noites para a cama com cada dos brasileiros, seja, no alto custo dos combustíveis, no aviltante preço das tarifas públicas, seja no abusivo preço cobrado nos alimentos de um país que se intitula o maior produtor agrícola do mundo.
Segundo o sindicalista Gilmar Brunetto, membro do Fórum Sindical que reúne os mais de 100 mil servidores públicos estaduais em Mato Grosso, a aprovação da PEC é nefasta, criminosa, abusiva e demonstra o temperamento dos atuais ocupantes do Poder. “É fácil cortar o ganho dos outros, mas, acertos em jantares regados a whisk, vinhos, canapés, camarões na residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ) e que contou com a presença do presidente da República, Michel Temer e dos seus ministros articuladores políticos, na noite de ontem, demonstra com clareza o leilão que aconteceu a portas fechadas para ele conquistar 359 votos contra algo que fere de morte o cidadão, pois a pobreza que até hoje perdura no sertão nordestino, com certeza será ainda maior nos próximos anos”, disparou o sindicalista.
Gilmar Brunetto disse que a crise política, por falta de identidade dos políticos de plantão desde a presidência da República, passando pelo governo do Estado de Mato Grosso, está desaguando nas eleições municipais em Cuiabá. “Me vi completamente isolado do mundo. Não tenho em quem votar. Aliás, existe candidato no segundo turno em Cuiabá?. Este com certeza será o maior questionamento que os eleitores terão que fazer nas urnas no próximo domingo dia 30, porque a partir de 2017, viveremos nossos piores pesadelos num país carcomido pela corrupção daqueles que estavam no poder, mas que deixaram a conta para nós pagarmos com o suor do nosso trabalho”, frisou o sindicalista.
Brunetto foi mais longe ao orientar que as pessoas não votem em nenhum dos atuais candidatos, Emanuel Pinheiro (PMDB) e Wilson Santos (PSDB) pois eles não representam nada, nem ninguém que merece um mínimo de respeito. “O Reajuste Geral Anual – RGA que foi defesa dos interesses de ambos os candidatos enquanto deputados, hoje deixou de existir, pois a PEC 241 extinguiu o direito dos trabalhadores de terem a devolução de suas perdas salariais decorrentes da inflação causada pelos próprios políticos, então nem um, nem outro merece o voto dos servidores públicos de Mato Grosso, pois ambos são contra o direito do trabalhador, mas a favor dos incentivos fiscais”, disse Brunetto.
Ele lembrou que um dos fortes discursos do atual governador Pedro Taques (PSDB) foi contra os incentivos fiscais, condenando o governo passado por ter concedido R$ 1,2 bilhão em média por ano em benefício, mas prevê para 2017, R$ 2,4 bilhões em incentivos. “Aonde mudou a política. Mudar regra com tudo isto de dinheiro?”, questionou o sindicalista lembrando que Mato Grosso foi noticia nacional em jornais, sites, televisões por que o Judiciário de Mato Grosso paga 99% a mais do que o teto máximo de vencimento de um ministro do Supremo Tribunal Federal, ou seja, enquanto o teto máximo é de pouco mais de R$ 33 mil, aqui em Mato Grosso, juízes, desembargadores, promotores, procuradores, defensores públicos ganham excessivamente mais, beirando os R$ 100 mil.