Agro familiar é coisa séria

 

Circularam recentemente notícias relacionando o agronegócio familiar à Empresa Mato-grossense de Pesquisa e Extensão Rural – Empaer-MT, de maneira muito equivocada e inoportuna. Na verdade, fora do contexto.

À empresa sempre coube desde o seu passado mais antigo, na década de 1965, essa tarefa de assistir o agricultor familiar. De lá para cá mudaram o Estado, o país, o próprio conceito de agricultura familiar e mudaram muito mais as pessoas e a economia. No surgimento das ACAR – Associação de Crédito e Assistência Rural, a de Mato Grosso foi fundada na década de 1965. Com muitas limitações, a Acarmat, uma entidade civil sem fins lucrativos, atendia à agricultura familiar da época, que vivia muito rudimentarmente. Mas tinha técnicos extensionistas qualificados e com grande vocação assistencial que navegavam na esteira da “revolução verde”, com olhar na modernização da agricultura.

Hoje a Empaer-MT resume esse propósito dentro de outro universo. Mas mantém o mesmo espírito extensionista, assistencial técnico e de pesquisa no setor do agro familiar. Enfrenta circunstâncias administrativas, políticas e financeira decorrentes das transformações que sofreu nesses últimos 30 anos. Todas, causaram grandes prejuízos ao propósito extensionista e de pesquisa da sua origem.

Hoje, a modesta população dos anos 1960 já alcança 3 milhões 224 mil e cerca de 141 mil famílias representando 20% da população que depende da agricultura familiar, e ainda carrega muita tradição e pouca tecnologia.

O que está em questão hoje em dia são fatores muito claros. Um deles, é que dos R$ 521 milhões em produtos hortifrutigranjeiros comercializados em Mato Grosso, R$ 294 milhões são importados. Exemplo supernegativo é a importação de mandioca e de farinha de Rondônia e do Paraná.

Na verdade, todos os cenários relacionados ao agro familiar acabam num ponto só: a falta de percepção política de que é um setor da economia e da sociedade com potencial de dar respostas enormes tanto na arrecadação de impostos como na correção das desigualdades sociais.

A conclusão de tudo isso parece tão evidente. Uma visão política, social e humana na forma de restauração dos valores originais do extensionismo e da pesquisa voltadas para o agricultor familiar. Isso se faz com baixos investimentos tanto em pessoal técnico, quanto em investimentos físicos, já que existe enorme patrimônio disponível em instalações em quase todos os 141 municípios.  O mais importante já está profundamente cristalizado no espírito da Empaer-MT: a sua história e a consciência de sua missão.

 

Quaisquer desmerecimentos a tudo isso não merece o crédito da sociedade!

 

Sindicato dos Trabalhadores da Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Pública de Mato Grosso

 

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