11/11/2015
Zé Silva*
No final deste ano acontece na França a COP 21 – Conferência do Clima de Paris, para discutir, debater e propor ações para a recuperação e preservação do equilíbrio ambiental no planeta. Como bem consta da Carta da Terra, “estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro… formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e da diversidade da vida». Portanto, todos sabemos que o momento histórico é crucial, e não há mais o que tergiversar.
Para esse encontro, a presidente Dilma leva algumas propostas, entre as quais medidas e ações a serem adotadas no meio rural. Isso é muito bom, porque o meio ambiente depende e muito das condições no campo, onde se produzem os alimentos, onde nascem as águas e onde estão as florestas e outros ecossistemas que garantem, por exemplo, a qualidade do ar que respiramos.
Algumas das propostas que a presidente vai apresentar são as seguintes: plantar 12 milhões de hectares de florestas; recuperar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas; e plantar 5 milhões de hectares consorciados em lavoura e pecuária. Embora seja de se perguntar se a presidente combinou essas propostas com os russos – como dizia nosso saudoso Garrincha – o fato é que o meio rural, e o setor agropecuário, mais uma vez é veementemente cobrado a realizar sua parte na questão ambiental, sem que se aponte um apoio ou uma participação maior de parte do governo para que isso aconteça.
Mas que seja o meio rural tem de fato importância e contribuições fundamentais para o equilíbrio ambiental. Mas precisa de apoio efetivo para realizar suas potencialidades nesse sentido. Então, diante das propostas que o governo vai levar à COP 21, chamamos a atenção para uma questão: o governo pretende atuar no meio ambiente rural sem uma extensão rural fortalecida, sem técnicos assistindo os produtores, sem recursos humanos em quantidade suficiente? O Brasil tem cerca de 4,3 milhões de agricultores familiares, e hoje os serviços da extensão rural alcançam apenas 2,3 milhões desse público.
A Emater-MG, com uma vasta experiência em serviços ambientais, tem um acervo de tecnologias e ações aplicadas, e com as quais pode mostrar resultados excelentes em recuperação e preservação ambiental. São trabalhos que se realizaram mais fortemente com a organização de Redes de Assistência Técnica e Extensão Rural (Rede de Ater), com assistência integrada para otimizar programas e projetos de forma ambientalmente sustentável.
Algumas das Redes de Ater então criadas, quando estávamos à frente de sua gestão, foram a Rede do Queijo Minas Artesanal, da Reforma Agrária, da Certificação do Café e da Pecuária de Leite. E para se constituir Redes de Ater, em todos os estados, com cerca de 10 mil extensionistas rurais, precisaria de investimentos em torno de R$ 1,5 bilhão/ano. Isso, para compor uma força de trabalho no campo que estaria atuando, sobretudo em questões ambientais.
Para isso, o governo diz que não tem recursos. Mas esse montante de recursos, de R$ 1,5 bilhão/ano, não chega nem a 20% do valor com que o governo remunera os bancos para financiamento da agricultura brasileira.
*Agrônomo, extensionista rural, deputado federal pelo Solidariedade/MG.
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