Potencialidade e gargalos
Algumas considerações de interesse; segundo a ABITRIGO (em 2014) o Estado consumiu 130.000 toneladas de farinha de trigo na alimentação de nossa população.
Considerando que a farinha custa 2,00 Kg houve uma evasão de divisas da ordem de 260 milhões de reais.
Pesquisas mostram que a rotação de cultura com trigo (gramínea) reduz a ocorrência de mofo branco, nematoide de galha e ajuda a reduzir o custo do controle de invasoras de folha larga, picão, trapoeraba, corda de viola, entre outras, além de evitar a erosão solar, queima da matéria orgânica do solo, em virtude da palhada que cobre a área após a colheita principalmente quando a rotação de cultura for com soja, feijão e algodão.
Dados mostram que temos aproximadamente 100.000 ha de áreas sob irrigação com dificuldade de exploração em virtude do vazio sanitário da soja e do algodão.
Levantamento da EMBRAPA revela que o potencial do Estado para trigo de sequeiro está ao redor de 1 milhão de hectares nas áreas anteriormente cultivadas com soja no verão e o trigo na safrinha.
As dificuldades climáticas na produção de trigo no sul trazem como consequência a importação de mais de 5 milhões de toneladas para atender a demanda nacional e isto é uma oportunidade para a expansão dessa cultura em nosso Estado e região.
Algumas dificuldades no cultivo desta Gramínea, entre outras;
O único moinho de trigo existente no Estado está desativado (grupo Belarina no Distrito Industrial de Cuiabá).
A nossa logística inviabiliza produzir trigo para vender fora do Estado.
Não temos um preço mínimo que viabilize economicamente a nossa triticultura.
Temos a segunda energia elétrica mais cara do País, o que encarece a irrigação do nosso trigo comparativamente.
O produtor fica inseguro para produzir, por falta de estrutura de comercialização, no tempo da CETRIN, o governo garantia a compra do produto pelo preço mínimo.
A pesquisa existente no Estado é insuficiente, nem a própria EMBRAPA atua com o trigo em nossa realidade.
Dados fornecidos pela EMPAER-MT mostram o potencial agronômico desta exploração, porém quem for plantar trigo terá que buscar semente fora e custear a produção com recurso próprio.
Eng. Agrº Hortêncio Paro
Pesquisador da EMPAER-MT
